Mundial de Clubes da FIFA 2006
INTER, Campeão do Mundo

Chegou o dia! O dia que sempre esteve em nossos sonhos, mas que muitas vezes você duvidou que realmente pudesse chegar. O tão esperado dia que você ajudou a tornar menos distante a cada temporada. E nesse dia valeu tudo: sorrir, chorar, tremer de frio no calor escaldante de Porto Alegre, suar nas cadeiras geladas do Yokohama Stadium. Um dia inesquecível para todo colorado.
Barcelona 0x1 Interacional (17/12/2006)
O dia 17 de dezembro ficará marcado na memória de todos os colorados como aquele em que o Inter viveu a maior glória de sua centenária existência. Nesta data, o Internacional sagrou-se campeão do Mundial de Clubes da FIFA, ao vencer, em Yokohama no Japão, o Barcelona.
O clube espanhol era considerado favorito por grande parte da imprensa mundial, vinha de uma goleada na partida anterior e ainda contava com Deco, Puyol, Zambrotta, Ronaldinho Gaúcho (duas vezes eleito o melhor jogador do mundo) no elenco, enquanto o Inter teve dificuldades para vencer na estréia o egípcio Al-Ahly por 2x1.
Os jogadores entraram em campo com as mãos dadas a crianças vestidas de branco. O Inter também estava de branco e com camisas com mangas longas devido ao frio que fazia nesta época do ano no Japão. Os presidentes dos clubes, da Fifa e de outras entidades foram ao gramado também e cumprimentaram os juízes e os jogadores. O capitão Fernandão apresentava cada jogador às autoridades. Durante os cumprimentos, o presidente Fernando Carvalho abraçou cada atleta colorado.
Na primeira vez que Ronaldinho dominou de costas para o campo de defesa do Inter, Edinho se apresentou e mostrou que não seria fácil. No lance seguinte, Iarley tirou uma bola na intermediária de defesa. O primeiro chute a gol foi de Wellington Monteiro, aos cinco minutos e meio. Fernandão teve oportunidade de chute aos seis, mas pegou muito em cima da bola e Valdes só acompanhou a saída pela linha de fundo. O Barcelona passou a ser melhor e a criar as jogadas mais perigosas até o final do 1° tempo, que terminou igual: 0x0.
Na volta do intervalo, duas trocas. Saiu Alex e entrou Vargas no Inter. Saiu Zambrotta e entrou Belleti no Barcelona. O quadro era semelhante ao do início do primeiro tempo. Pato tentou aos sete, depois foi a vez de Ceará. Os dois de fora da área e pelo lado direito de ataque.
Aos 30min Fernandão teve que sair: entrou Adriano. O jogo passou a ficar dramático para o colorado. Sem o capitão Fernandão. Mas aí surgiu o talento de Iarley. O atacante cearense passou a chamar o jogo para si e foi pra cima dos catalães. Aos 36min, o gol mais importante da história colorada. Iarley fez grande jogada pelo meio e tocou para Adriano, livre na área. O jogador chutou na saída de Valdes e marcou o gol. Festa colorada em Yokohama.
A vitória dramática foi merecida. O Inter foi bravo, inteligente e heróico. Segurou o Barcelona e marcou todas as suas jogadas. Soube explorar as deficiências de marcação do adversário e matou o jogo com uma bela jogada de Iarley, que Adriano soube completar com categoria.
Hoje, os colorados não podem definir o que essa conquista significa. Paradigmas foram quebrados, novos parâmetros foram estabelecidos. Porto Alegre não será mais a mesma, porque os seus moradores mudarão. Por um tempo impossível de precisar, até a rotina será diferente. Uma vitória nem sempre é apenas uma vitória! Um título pode representar muito mais que um título! Parabéns, COLORADOS!
INTER (1): Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Fernandão (Adriano); Alexandre Pato (Luiz Adriano) e Iarley.
Técnico: Abel Braga.
BARCELONA (0): Valdes; Zambrotta (Beletti), Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho.
Técnico: Frank Rijkaard.
Público: 67.128. Arbitragem: Carlos Batres (Guatemala), auxiliado por Carlos Pastrana (Honduras) e Leonel Leal (Costa Rica). Local: Estádio Internacional de Yokohama, no Japão.
PROTAGONISTAS
CLEMER

O goleiro Clemer, jogador que defende o Internacional desde 2002, um dos goleiros mais vitoriosos da história colorada ao lado de Manga e outros, jamais será esquecido, o goleiro teve papel fundamental na decisão contra o Barcelona de Ronaldinho e Deco. Um dos mais importantes jogadores na campanha do titulo Mundial com várias grandes defesas tanto no primeiro como no segundo jogo do torneio, passou pelos jornalistas comemorando muito. E disse “Não adianta nada. Decisão é comigo mesmo”, vibrou o goleiro campeão da América e campeão do mundo. "Jogar o suficiente não bate o Inter"
FERNANDÃO

Na opinião do capitão Fernandão a vitória só veio porque o grupo sempre esteve muito unido. “O nosso grupo é muito fechado. Só conseguimos tudo isso porque sempre pensamos no bem-estar do grupo. Não há qualquer tipo de vaidade aqui.”, destacou.
ABEL BRAGA

O técnico Abel Braga destacou a força do grupo na entrevista depois do jogo. Para o treinador, o time fez um jogo de muito sacrifício e foi recompensado. “Tivemos que correr muito e todos se sacrificaram. Estão todos de parabéns”, afirmou o técnico campeão do mundo. “Esse é o título mais importante que um clube pode vencer. E nós vencemos.” O treinador da seleção Brasileira Dunga, elogiou a atuação do time de Abel: - Quando o coletivo está bem, o individual também aparece. O Inter mostrou disciplina tática, coragem e organização, surpreendendo os europeus. Mostrou que o futebol brasileiro também sabe ser organizado – diz o ídolo colorado, que pegou os mesmos aviões do Inter na longa volta para o Brasil.
FERNANDO CARVALHO
O homem que comandou o Internacional em suas maiores glórias, quebrou o protocolo das formais cerimônias da Fifa. Colocou uma bandeira do Inter em meio aos engravatados da organização. O presidente do Barcelona, Joan Laporta, havia pedido na noite anterior durante jantar de presidentes para que ele não se manifestasse tanto, mas não houve jeito. O presidente não conseguia segurar a emoção. "Os colorados não conseguem esquecer dessa conquista e com certeza lembram do jogo assim como eu".

IMAGENS DA FINAL


Al-Ahly 1x2 Interacional (13/12/2006)

Para garantir a vaga na final, o colorado tinha que vencer os egípcios do Al-Ahly na estréia, clube desconhecido para os brasileiros mas com grande prestígio e títulos no continente africano, considerado por muitos o "Real Madrid" do Continente, a equipe também continha boa parte de jogadores da seleção do Egito no elenco.

A partida foi dura desde o início. Com toques rápidos e velozes, o time egípcio impôs muitas dificuldades ao Inter. A equipe alvi-rubra tentou fazer uma marcação pressão e arriscou muitos chutes de fora da área na tentativa de surpreender o adversário.

No final, valeu a estrela dos garotos criados nas categorias de base, que marcaram os dois gols, um em cada tempo. Em campo, o Inter era solidário e combativo. Ao ponto de Fernandão, que atuou como um meia de ligação, receber cartão amarelo por ajudar na marcação e fazer falta dura ao lado da área colorada.
Com gols de Alexandre Pato e Luiz Adriano, jogadores formados na base, o colorado garantiu a vaga na final.

Internacional: Clemer, Ceará, Fabiano Eller, Índio e Hidalgo (Rubens Cardoso, aos 18 do 2t); Wellington Monteiro, Edinho, Alex e Fernandão; Alexandre Pato (Luiz Adriano, aos 18 do 2t) e Iarley (Vargas,aos 35 do 2t). Técnico: Abel Braga.
Al Ahly: El Hadary (Abdelhamid, aos 35 do 2t), El Shater (Ahmed Sedik, aos 29 do 2t), Said, El Nahas e Gomaa; Mohamed Shady, Ashour, Mostafa (Emad Moteab, no intervalo) e Shawky; Aboutrika e Flavio. Técnico: Manuel José.
Local: Estádio Nacional de Tóquio, em Tóquio (Japão)
Público: 33.690 pagantes
Árbitro: Subkhiddin Mohd Salleh (Malásia)
Gols: Alexandre Pato (23min do 1ºt); Flavio (8min do 2ºt); Luiz Adriano (27min do 2ºt);

Inter desembarca em Porto Alegre:Colorado nos braços do seu povo...

O avião que trazia os campeões do mundo desembarcou na base aérea de Canoas às 13h25. A partir desse momento, deu-se uma sucessão de acontecimentos que fizeram Fernandão se arrepiar e segurar as lágrimas que teimavam em ro
Depois de passar pela porta do avião usando na cabeça uma faixa samurai com a mensagem “campeão” escrita em japonês e uma bandeira do Brasil pendurada nas costas, Fernandão parou no meio da escada e levantou a taça do Mundial Interclubes. Exibia um sorriso largo. Logo no início do trajeto que levaria até o Beira-Rio, tirou a camiseta. O calor de 35 graus era quase irresistível. Precisou se livrar também do adereço oriental, já ensopado de suor.

O percurso que normalmente teria um tempo estimado de 40 minutos foi concluído em três horas. Mais de 500 mil colorados se posicionaram nas ruas, nas casas e nas janelas para um aceno que fosse, qualquer coisa para fazer parte de uma história que um dia ainda vai virar lenda. Normalmente usado para apagar incêndios, dessa vez o carro do corpo de bombeiros estava sendo usado para conduzir os causadores do maior fogo que Porto Alegre viu nos últimos anos.

A chegada na casa do clube do povo não significou o ponto final da festa. Pelo contrário. A queima de fogos do lado de fora anunciou para quem estava dentro: chegaram os homens que colocaram o Inter no ponto mais alto do planeta. Depois de uma rápida passagem pelo vestiário, pausa para molhar o cabelo e amenizar um pouco os efeitos da alta temperatura, Fernandão foi para o gramado. Mais baterias detonadas, promovendo um barulho ensurdecedor. Nas arquibancadas, aproximadamente 35 mil torcedores enlouquecidos. Eram cinco da tarde de uma terça-feira.
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Todos queriam agradecer. Quem estava na arquibancada dizia obrigado pelo título. Quem estava no campo batia palmas pelo apoio recebido durante toda a temporada. O momento era mesmo propício para um acerto de contas. Tão vaiado durante o ano, Adriano, autor do gol que garantiu a conquista, aceitou o pedido que vinha em forma de coro: “uh, uh, uh, me perdoa Gabiru”. O capitão do mundo fez do seu jeito. Correu na frente da popular, pulou diante da social e, para completar o show, pediu licença ao soldado do corpo de bombeiros e molhou os torcedores com a mangueira. Com direito a capacete amarelo e tudo.

Depois do ritual, pediu o microfone ao goleiro Clemer e comandou um espetáculo emocionante. Primeiro, entoou um canto presente em todas as partidas no Gigante.
"ÔÔÔÔÔ, VAMO, VAMO, INTEEEEER...
A torcida se encarregou de completar. A cena contagiante fez Fernandão desabafar.
"Vocês não imaginam o quanto estamos felizes. Nós somos iguais a vocês. No caminho de Canoas até aqui, eu segurei o choro mais de dez vezes. Vocês merecem isso. CAMPEÃO DO MUNDO! É NOSSO!
É de toda a nação colorada!
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